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Base: BI Módulo 8 - Mercado e tendências futuras
Postado em 19/01/2005 por admin |
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- Mercado e tendências futuras
- Um quadro geral do Brasil
Mercado e tendências futuras
Aqueles que acreditavam na recuperação do mercado de tecnologia em um futuro bastante breve perceberam que esse futuro está mais próximo do que imaginavam. Os analistas do Gartner são os primeiros a dar respaldo a esses otimistas do setor de BI porque vêem sinais positivos nos investimentos em tecnologia até o final de 2003. Essa afirmativa baseou-se num índice econômico registrado mensalmente pelo Technology Demand Index e que prevê uma retomada mundial da comercialização e uso de ferramentas de BI ainda maior em 2004. Percebe-se, no entanto, que estamos falando de um mercado conservador que se tornou assim em razão de experiências anteriores, muitas delas mal sucedidas, e trazem hoje o receio de realizar custos indevidos. Por isso, imagina-se que a reversão desse processo acontecerá gradualmente. Mesmo assim, os dados apurados nos Estados Unidos entre 20 mil executivos de tecnologia com poder de decisão, mostraram que as empresas norte-americanas investiram no setor o percentual recorde de 95,1% de seu orçamento (um índice de 100% representaria que as companhias investiram exatamente o valor orçamentário mensal voltado para tecnologia). Depois de março e abril de 2003, quando o índice ficou em 80%, o Index subiu para cerca de 90% nos meses de maio, junho e julho desse ano, representando que a demanda por tecnologia está, gradualmente, alcançando os níveis orçamentários.
Os estudos do Gartner, realizados no final de 2002, trouxeram parte dessa visão otimista quando previram um melhor aproveitamento de mercado daqueles que produziriam ferramentas de BI para um novo público, ou seja, os estudos revelaram uma mudança de comportamento das empresas e a disposição dos desenvolvedores de adequar a tecnologia à nova necessidade do mercado. Para 2004, a previsão é de urgência de uma tecnologia em tempo real e que já seria a realidade para alguns aplicativos de BI. Já, em 2006, os estudos do Gartner revelam que haverá o uso simultâneo das mesmas ferramentas de BI e comunicação real-time entre diversos aplicativos.
O mesmo instituto realizou uma pesquisa entre diferentes instituições revelando que 95% delas vêem BI como uma ferramenta de gestão que deverá estar disponível para um grupo maior de pessoas e, inclusive, deram o nome a esse novo esquema de Business Intelligence Networks. De um modo geral, BI Networks, definido pelo Gartner, se apresentará como uma rede conectada entre os empregados de modo não hierárquico, para que juntos desenvolvam, compartilhem, processem dados e metadados, auxiliando-os em análises e decisões, e fazendo uso de uma estrutura computacional amigável para que informações circulem com rapidez, qualidade e consistência, sendo acessíveis aos usuários de todos os níveis da corporação.
Entre os diversos tipos de fraudes que fazem parte da realidade corporativa, uma delas desponta como principal ameaça às transações das empresas. Segundo a KPMG, 48% de seus entrevistados consideram os funcionários como principal risco. Em 2002, fraudes que envolveram a participação de colaboradores internos totalizaram perdas em torno de R$ 1 milhão, sendo apenas 54% conseguiram recuperar o que se perdeu. Atualmente, 39% das maiores empresas brasileiras já verificam os antecedentes de novos funcionários que ocuparão posições de alto nível de responsabilidade.
A digitalização das relações comerciais também está atraindo ações criminosas. Das empresas que sofreram algum tipo de fraude em 2002, 9% tiveram problemas de segurança em transações eletrônicas. Além disso, 57% destacaram falhas na implantação da política de segurança como a maior debilidade do comércio eletrônico. Para 26%, ações de crackers foram as maiores ameaças.
Também foi registrada grande preocupação em relação à espionagem corporativa. Para 66% dos entrevistados pela KPMG este assunto é uma ameaça. Para se prevenir, as estratégias mais utilizadas são restrições ao acesso de informações e às áreas sensíveis da empresa. Após a detecção da fraude, as principais medidas adotadas são a demissão dos envolvidos (65%), investigação por auditoria interna (40%), registro de queixa criminal (38%) e pedidos de indenização (11%).
Ocorre que, além de decisões judiciais,trabalhistas e criminais, os problemas ocorridos dentro das corporações têm levado um monitoramento constante das ações dos funcionários, as quais, por muitas vezes, acabam por afetar a privacidade das pessoas.
O que se prevê em Business Intelligence e do conjunto de ferramentas que esse conceito abarca será um resultado mais aprumado com as necessidades do mercado e que permitirá realizar uma análise da informação em tempo real para uso em decisões com muito mais acuidade do que ocorre nos dias de hoje – o que confere com a previsão do Gartner para 2004. Essa análise deverá ocorrer com a mesma precisão que uma fábrica, nos dias atuais, consegue verificar diariamente seus estoques. Imagina-se, inclusive, um Centro de Controle de Negócios comandado por ferramentas de Business Intelligence, que permitirão avaliar em real time a performance da empresa, as condições de mercado e o comportamento da concorrência como se estivessem assistindo ao vivo às alterações desses vetores, na maior parte da vezes, determinantes para uma decisão. O Gartner contribui com uma definição do conceito RTE (Real Time Enterprise), ou seja, do que será a empresa em tempo real no ano de 2005: ela será aquela que reduzirá o tempo despendido com gerenciamento e execução dos processos de visualização de informações, não somente aprimorando ferramentas mas distribuindo o acesso e oferecendo poder de decisão aos profissionais dos mais diferentes níveis hierárquicos da instituição.
Os consultores que colaboraram na pesquisa da Computerworld concordam com essa tendência e complementaram que a eficiência do processo ocorrerá pelo maior relacionamento de todos aqueles que têm acesso à informação de modo que interajam e contribuam para as decisões. A análise passará de um visão “solo” para uma versão mais “colaborativa”, ou seja, com mais pessoas envolvidas no processo decisório. Outros analistas falaram de “visão corporativa e não mais limitada a um número determinado de profissionais", levando à democratização da informação.
Essa amplitude do alcance da informação para um maior número de envolvidos já é uma realidade em muitas corporações, principalmente no hemisfério norte, mas ganhará força em 2004 e será o princípio que regerá BI em 2005. A interação das informações se dará de modo que se apresentem tão conjugadas a ponto de não se saber quando começa uma e onde termina outra, e essa integração será uma das vertentes seguidas pela tecnologia aplicada à gestão empresarial. Um dos consultores pesquisados pela Computerworld diz que no caso de ações de marketing, por exemplo, a correta integração de informações representará uma economia em U$ 200 bilhões em propaganda mal direcionada e ações de marketing direto ineficientes. Maior eficiência é o que se espera no amanhã do BI que parece estar já estar começando hoje.
Um quadro geral do Brasil
Ao visualizar o crescimento de tecnologia da informação no Brasil, a situação não está como deveria. Os números aparentemente otimistas, não devem enganar um olhar menos experiente: existem, atualmente, 20.000 empresas fornecedoras de soluções que empregam 300.000 funcionários diretos e outros 500.000 indiretos. Números significativos, mas que deveriam ser muito maiores. Em parte porque a indústria de informática enfrenta um dos piores inimigos para esse mercado: a pirataria. Além disso, a balança comercial do segmento de TI está extremamente deficitária. Existe pouca ou nenhuma exportação. O resultado: retração dos investimentos, demissão em massa, menos impostos recolhidos pelo governo e poucas empresas produzindo no Brasil. Mas ainda resta uma esperança. Principalmente quando se pensa em Tecnologia da Informação voltada para o apoio à gestão empresarial.
Um estudo realizado pelo Fórum Econômico Mundial, que traz anualmente um ranking baseado nas informações de 82 países, demonstrou que essas nações monitoram constantemente o progresso em relação à consolidação do setor de tecnologia e às mudanças nos cenários econômico e político de cada região. Segundo o relatório, o líder mundial em avanços na área de TI é a Finlândia, que tirou os Estados Unidos da liderança consagrada nos últimos anos. O Brasil, que ocupa o 29º lugar no ranking global, ficou na primeira posição da América Latina. Um estudo realizado pelo departamento de pesquisas da IT Media durante o IT Fórum, evento que reuniu recentemente mais de 200 CIOs, revelou que apenas 27% do orçamento de TI para o ano havia sido consumido. Se tomarmos o valor de R$ 9 bilhões previstos para 2003, ainda estão disponíveis no caixa das empresas cerca de R$ 6,6 bilhões. Portanto é o tempo de o Brasil investir no setor de desenvolvimento de TI e crescer.
Não bastasse a perspectiva financeira animadora, a imensa maioria das corporações brasileiras está em fase de definição de planejamento estratégico e orçamentário para 2004 e planeja manter uma verba significativa para o futuro. A tarefa, que sempre foi importante, vem se tornando, nos últimos anos, crucial. Uma estratégia bem pensada dá às empresas condições de superar dificuldades, sejam elas econômicas, políticas ou mercadológicas. A pesquisa realizada durante o IT Fórum revelou que 74% das empresas entrevistadas irão manter uma verba para TI bastante expressiva para os próximos anos.
As ferramentas de tecnologia e gestão que o conceito de BI abarca trazem novas possibilidades a um mercado que, mesmo contido, pede diferenciais competitivos entre as empresas. A retração no setor em 2002, devido a diversos projetos engavetados, foi justificada por analistas em razão de uma crise econômica global. Particularmente, para o Brasil, o ano foi ainda mais estagnado por se tratar de momento eleitoral que normalmente gera incertezas e um certo temor por parte de empresários em realizar investimentos vultuosos. Além disso, os números mostram que apenas as grandes empresas podem comportar o orçamento de projetos de implementação de gerenciamento da cadeia produtiva que em 67% dos casos fica em mais de R$ 100 milhões. Outra lacuna de 2003 aconteceu em razão do setor governamental, normalmente um comprador de TI, não se manifestar no primeiro semestre, situação que, segundo as estimativas, deverá mudar. Espera-se, inclusive, um novo quadro para os próximos anos. Embora o Brasil ainda veja com restrição a implantação de alguns processos de CRM (Customer Relationship Management), SCM (supply chain management) e BI (business intelligence) porque representam, de um modo geral, gastar dinheiro e demorar para obter resultados, o futuro parece reservar planos mais otimistas. O Yankee Group também realizou uma pesquisa no país, revelando que apesar dos orçamentos estarem enxutos, a tendência é de que as empresas que ainda não investiram nesse sentido, o façam nos próximos meses.
No caso do Business Intelligence, a pesquisa mostra que apenas 22% das empresas possuem softwares do tipo, mas demonstram interesse crescente em implementações, uma vez que consideram algumas das ferramentas de fácil utilização e que justificam os investimentos. O Yankee Group viu nessa pesquisa um interesse por BI muito mais como uma ferramenta de análise, do que um sistema de suporte aos negócios com base em conceitos teóricos. E mostra que Business Intelligence figura em segundo lugar na perspectiva de gastos futuros em 2003, com 14%.
Uma avaliação de outro instituto de pesquisas respeitável, o IDC (International Data Corporation), sugere como saída para melhorar a performance do segmento, que no ano anterior se manteve recuada, a venda de soluções para pequenas e médias empresas a custos mais baixos. A sugestão é também ampliar o leque de ofertas que abrange desde bancos de dados voltados para grandes corporações, até soluções que possam ser utilizadas em dispositivos móveis.
O recado que o Gartner transmitiu em agosto de 2003, na abertura da conferência anual organizada pelo instituto em São Paulo (SP), é o de que as empresas devem reforçar a sua infra-estrutura de TI para se manterem competitivas, pois o panorama econômico deve começar a mudar. Segundo estudos do instituto, os gastos com manutenção e novos projetos tecnológicos para América Latina superam as perspectivas mundiais, inclusive as dos Estados Unidos. A previsão é de um aumento anual de 6% de investimentos no setor enquanto os norte-americanos teriam um acréscimo de 4,6% durante o mesmo período.
O Gartner acredita, principalmente, no desempenho do setor bancário que precisa e deve continuar investindo para poder se manter competitivo. Esse segmento encontra-se numa situação delicada. De acordo com um estudo da ABM Consulting, em 1994, a participação de instituições financeiras com controle estrangeiro nos ativos da área bancária brasileira era de 7,16%. Em 2001, chegou a expressivos 29,9%. No ano passado, esse movimento cessou e houve decréscimo na participação, para 27,1%. Para os analistas, a tendência é que ainda mais bancos passem ao controle estrangeiro. E, em meio a esse vaivém, as equipes de TI devem estar atentas para não deixar fugir oportunidades de mercado. O IDC mostra que o setor financeiro deverá finalizar o ano com um crescimento dos investimentos de TI que representa 9,18% superior ao registrado em 2002. É um crescimento que se revela em razão do desenvolvimento de áreas de seguros de vida e previdência privada. Apesar de otimista, devemos considerar uma projeção inflacionária de 10% no país, mas nem por isso podemos dizer que a perspectiva é desanimadora, seja em segmentos verticais, seja na maioria das empresas que precisarão de informação para obter um diferencial competitivo.
Fonte: Next Generation Center
Fontes consultadas:
- NetworkMagazine
- Business Standard
- InformationWeek
- IntelligenceEnterprise
- InformationWeek - Brasil
- Computerworld
- The future of BI
- IDGnow
Bibliografia recomendada:
- Segurança e Auditoria da Tecnologia da Informação, Cláudia Dias
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