Qualquer processo de inteligência competitiva tem como objetivo reunir informações para tornar um cenário incerto em ambiente de competição conhecido. É como buscar peças espalhadas e montar um quebra-cabeça. (por Fábio Rios, Baguete)
De uma forma geral, suas etapas vão desde a necessidade de compreensão de determinado assunto, passando por coleta de dados, tratamento e contextualização destas informações conforme o que foi exposto na necessidade inicial e finalizando com a geração de um plano de recomendação.
Dependendo do autor e de sua escola de inteligência, estas etapas podem variar entre 4 e 9 sub-eventos, onde determinadas atividades podem ser mais ou menos exploradas, mas sempre mantendo a lógica de buscar respostas no ambiente externo para problemas de competição da organização.
Entre os autores brasileiros, o processo de inteligência competitiva descrito pela Drª Elisabeth Gomes chama atenção. O mesmo compreende seis etapas, sendo que a última é raramente explorada nos ciclos de inteligência de outros autores nacionais e internacionais. Vamos a elas:
- A primeira etapa levantada pela Drª. Elisabeth é a Identificação de Necessidades de Inteligência. Aqui o analista vai expressar uma incerteza da organização que demanda tomada de decisão. Esta incerteza é desdobrada em tópicos chave de inteligência e questões chave de inteligência (os chamados KITs e KIQs), que ao serem respondidos vão montando o quebra-cabeça do problema.
- A segunda etapa, denominada Identificação das Necessidades de Informação, é utilizada para determinar quais fontes de informação deverão ser acionadas e capturadas para ajudar nas respostas dos KITs e KIQs da etapa anterior. Notícias de jornais e revistas, Internet, bancos de dados, entrevistas com especialistas, eventos, feiras, comunidades sociais, entre outros inúmeros canais, podem fazer parte deste universo.
- Coleta e Organização é a terceira etapa do processo que efetivamente reúne e organiza os conteúdos encontrados sobre o ambiente externo. As informações coletadas são classificadas em relação aos KITs e KIQs, criando o insumo necessário para o início do processo de análise.
- A quarta etapa é o evento nobre do processo. Em Análise, os profissionais de inteligência avaliam as informações, comparam, cruzam, detalham, encadeiam e aos poucos vão compreendendo os impactos das mesmas em relação a incerteza estabelecida na etapa de Identificação de Necessidades de Inteligência. O resultado deste trabalho é o relatório de IC. Um documento, normalmente curto e focado, capaz de oferecer um panorama do determinado contexto acompanhado de um plano de recomendação.
- A quita etapa de Disseminação de Produtos de Inteligência é quando o conhecimento gerado ao longo do fluxo é levado aos tomadores de decisão. Reuniões, workshops, portais e até mesmo e-mails podem ser utilizados para a disseminação dos relatórios de recomendação de inteligência competitiva.
- Por último, a Drª Elisabeth descreve a etapa de Avaliação, onde a área de inteligência busca feedback do relatório gerado, utilizando esta informação para aprimorar seu processo, suas técnicas de coleta, análise e tornando seu trabalho sempre matéria-prima substancial para a tomada de decisão da organização.
Entretanto, é importante antecipar que não basta a existência de um processo estruturado para que inteligência apresente os melhores resultados. Quando entendemos que inteligência demanda alinhamento com os objetivos da organização, pressupõe pessoas sensibilizadas e capacitadas, entre outros fatores, sentimos falta de algo mais. Bem, este é assunto para a semana que vem!
* Fábio Rios é Diretor Executivo da Associação Brasileira dos Analistas de Inteligência Competitiva - ABRAIC e Vice-Presidente de Negócios da Plugar Informações Estratégicas
Fonte: http://www.baguete.com.br/colunasDetalhes.php?id=3148
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