[CIO] 7 idéias para 2008 (inclusive BI)
Data: 17/01/2008
Tópico: Business Intelligence


CIOs, analistas e consultores revelam as tecnologias e estratégias que vão fazer a diferença nas empresas brasileiras no ano que vem
(por Murilo Ohl, Info Corporate, 12/2007)

Há dois meses, o Gartner sugeriu aos CIOs planejar a TI tendo como base dois cenários: um de crescimento dos negócios e outro para o caso de uma eventual recessão. Esqueça essa história. Se a previsão valer, será para o mercado americano, onde os orçamentos de TI crescem pouco já há alguns anos. Em países da América Latina, segundo o Gartner, os budgets de TI para 2008 devem, no mínimo, repetir o aumento de 8% registrado em 2007. No Brasil, segundo a consultoria IDC, o mercado de tecnologia como um todo deve dar um salto de 12%, chegando a 22 bilhões de dólares. Sem a sombra da recessão, as empresas lutam para crescer e se tornarem mais competitivas.

Por isso, é hora de arregaçar as mangas e planejar o trabalho do ano que vem. Info CORPORATE ouviu CIOs, fornecedores, consultores e analistas para traçar um mapa das principais tendências da TI para 2008. O resultado são sete idéias que, esperamos, sirvam de inspiração para os líderes de TI. Estão presentes nesse levantamento as tecnologias e as estratégias que em 2008 devem entrar na agenda dos CIOs que desejam contribuir para tornar as empresas brasileiras mais inovadoras, lucrativas e eficientes. Confira as idéias e veja como elas impactam suas metas e o planejamento estratégico da TI.


1. REVISE O OUTSOURCING
A terceirização está mesmo dando resultados? O início do ano pode ser uma boa época para rever os atuais contratos, ampliar o nível de terceirização ou reincorporar atividades que estão sendo realizadas externamente. É preciso estar atento não só aos resultados que o outsourcing já trouxe, mas ao que ainda está por vir.

“Às vezes, o outsourcing tem uma performance adequada, mas as perspectivas de evolução não são boas”, diz Sergio Lozinsky, vice-presidente da Booz Allen Hamilton. “Outra questão que os CIOs devem olhar é se o outsourcing se tornou uma barreira à inovação. Se isso ocorreu, está na hora de trazer o processo para dentro de casa novamente, porque a estrutura enxuta está impedindo a empresa de crescer”, diz Lozinsky.

Grandes provedores de outsourcing vêm buscando modelos de contrato com pagamento variável, de acordo com o resultado que a terceirização traz para o cliente. “Antes, as empresas ficavam satisfeitas com o fato de repassar um problema para um provedor”, diz o consultor André França Cardoso, executivo da IBM Global Technology Services.“Agora, o CIO vem pedindo algo melhor”, afirma. Segundo Cardoso, a IBM pretende ampliar a presença das cláusulas “risk and reward” (risco e recompensa) nos contratos de outsourcing que mantém com empresas brasileiras. Trata-se de um modelo de acordo em que a remuneração do prestador de serviço está atrelada ao resultado do cliente. Assim, se a empresa cresceu ou lucrou mais, o provedor ganha. Se o resultado foi negativo, o fornecedor não recebe nada. Além da IBM, a Accenture possui clientes brasileiros nessa modalidade. Para utilizar esse modelo, a IBM tem buscado estabelecer indicadores de negócios específicos para cada indústria. “O cliente deve pagar pelo consumo de infraestrutura e mão-de-obra de TI na linguagem do negócio dele”, diz Cardoso. No lugar de Mips ou horas-homem entram critérios como número de usuários ou número de transações, aproximando o outsourcing de um modelo de utility computing.

Relação madura

Apesar de não ser novo, o modelo de risk and reward ainda é conside-rado imaturo e merece ressalvas. “É preciso ver o quanto as empresas estão dispostas a compartilhar lucros e prejuízos”, afirma Lozinsky. “A opção por um contrato desse tipo exigiria uma avaliação muito ampla do negócio da empresa e ainda assim teria um alto grau de subjetividade nas análises.” O mais provável é que esse tipo de contrato se aplique em casos específicos, onde é possível estabelecer uma relação entre o outsourcing e o negócio.“É um tipo de relacionamento que recomendamos para contratos em que os dois lados têm um nível de maturidade bastante alto e um relacionamento muito estreito”, afirma Cassio Dreyfuss, vice-presidente de pesquisas do Gartner. Hoje, esse modelo é mais comum em trabalhos que envolvem transformação, ou seja,em que o resultado é um novo modelo de negócio. “É preciso haver um risco e um potencial de resultados”, diz Dreyfuss. Esse tipo de contrato se aplica também na direção oposta: o fornecedor promete grandes economias como resultado do outsourcing. Nesse caso, cliente e fornecedor “racham” as economias.


2. CONSTRUA UMA TI FLEXÍVEL
O Grupo Pão de Açúcar traçou neste ano uma estratégia de TI de longo prazo, que prevê a realização de mais de uma centena de projetos até 2010. Para todos os projetos, Ney Santos, diretor de TI da companhia, estabeleceu uma regra básica e inquestionável: é obrigatório o uso de um framework de SOA (Arquitetura Orientada a Serviços). Foi criado um grupo de integração que é responsável por disseminar o conceito dentro da empresa. “Essa nova arquitetura deve estar presente em todas as ações da TI”, afirma Santos.

Apesar de já ter sido foco da atenção das empresas nos últimos dois anos, SOA, na visão de CIOs e consultores, continuará em alta em 2008.“O que se viu até agora sobre o assunto não é nada em comparação com o que ainda está para ocorrer”, diz Andrea Fonseca França, líder de estratégia de TI da IBM para a América Latina. A pressão por eficiência operacional da TI é o principal fator que leva empresas a investir em SOA, de acordo com a consultora. “Como a TI está sendo cobrada por apresentar resultados mais rapidamente, é necessário uma arquitetura modular, que possa ser reutilizada e entregue rapidamente como serviço de tecnologia”, afirma Andrea.

Segundo Reinaldo Roveri, da consultoria IDC, também vai colaborar com a expansão de SOA uma maior maturidade de produtos oferecidos sob esse conceito. Praticamente todas as aplicações importantes hoje contêm as características de SOA. As ferramentas de desenvolvimento também prevêem a nova arquitetura, de capa Tendências modo que qualquer tecnologia que uma empresa venha a adquirir provavelmente tenha traços de SOA.

Para o Gartner, no entanto, antes de atingir um estágio pleno de utilização da arquitetura orientada a serviços, as corporações devem olhar, em 2008, para alguns de seus precursores tecnológicos. São eles: modelagem de processos de negócios e mashups. Cada um deles representa uma etapa a ser superada em direção da nova arquitetura corporativa. Definir processos de negócios, por exemplo, é um trabalho de conciliar projetos de SOA com projetos de desenho de processos. Mashups são os componentes de aplicação disponíveis na web para a criação de ferramentas corporativas. Segundo o Gartner, 80% do desenvolvimento de aplicações empresarias em 2010 passarão pelos mashups. Para muitos analistas, os mashups representam o ponto em que SOA encontra a web 2.0.


3. MELHORE O BI
Novamente os CIOs colocam Business Intelligence entre suas prioridades de TI para 2008. Dessa vez, não se trata da adoção da ferramenta, que na maioria das empresas já funciona, mas de um processo de revisão de suas capacidades. Em outras palavras, os projetos de BI ainda não desencantaram. Um dos motivos é que as aplicações foram projetos departamentais que, com o tempo, não produziram uma visão estratégica da informação. “Sobrou aquela máxima ‘eu faço picado e depois integro’”, diz Andrea Fonseca França, da IBM. Só que com a economia em crescimento, as empresas estão pressionando a TI para ter ferramentas capazes de gerar informação de melhor qualidade.“O acesso a informações gerenciais continua a ser alvo de reclamações de usuários, que ainda não dispõem dos dados que precisam para tomar decisões”, afirma Sérgio Lozinsky. “Não é por falta de ferramenta, mas por falta de agilidade da TI”, diz.

Os projetos atuais tiveram ambições muito modestas (e equivocadas), na opinião de Lozinsky. No lugar de buscar ganhos de agilidade na criação e apresentação dos dados estratégicos, as implementações de BI procuraram substituir os meios anteriores, como as planilhas Excel.

Uma das formas de obter um BI mais eficiente será trabalhar melhor a qualidade dos dados, não só na aplicação, mas também nos data marts, no banco de dados e no ODS (Operational Data Store). O Gartner aponta ainda a gestão de metadados como uma das dez tecnologias estratégicas para 2008. O chamado master data management será o alicerce de uma série de tecnologias que as empresas deverão implementar, como CDI (Customer Data Integration) e PIM (Product Information Management).


4. AMPLIE O ERP
Este ano, o orçamento de ERP das empresas americanas cresceu 11%, segundo pesquisa da AMR Research, que prevê um número semelhante em 2008. Trata-se de um bom crescimento para uma tecnologia que já atingiu um estágio avançado de maturidade. Segundo Ione de Almeida Coco, vice-presidente do programa de executivos do Gartner, essa tendência deve chegar ao Brasil e figurar entre os desafios tecnológicos dos CIOs em 2008. “Há um interesse das empresas em expandir as funcionalidades do ERP e incluir novos usuários, localizados em áreas ainda não cobertas”, diz Ione.

Um dos fatores que puxam essa tendência é o fato de que fornecedores, como Oracle e SAP, estão lançando novos módulos de seus produtos, tentando ocupar nichos que pertenciam a fornecedores de soluções pontuais. Isso abre uma oportunidade para as empresas usuárias substituírem sistemas legados, unificando a TI com um provedor.

Segundo a AMR Research, 82% das empresas de varejo e indústria de manufatura estão em fase de aquisição de novos módulos de ERP.

O que os fornecedores já perceberam é que, apesar dos enormes investimentos realizados, há ainda muito trabalho a ser feito na automação de processos. “As empresas têm muitas áreas que não são tocadas pelo ERP”, diz Sérgio Lozinsky, vice-presidente da Booz Allen Hamilton. Há espaço para integração, principalmente de atividades operacionais como contact center, logística, gestão de estoque e assistência técnica. “O CIO deve procurar novas possibilidades de automação”, diz Lozinsky. Essa tarefa está na agenda de Wellington Brigante, CIO do grupo usineiro Zilor. No segundo semestre de 2008, a empresa pretende realizar a integração de seus dois principais ERPs: o SAP e a solução de automação industrial MES (Manufacturing Executing System), fornecida pela GE. “Essa composição das duas áreas vai permitir criar um console único de gerenciamento”, afirma Brigante.


5. INVISTA NA INFRA-ESTRUTURA
Na fabricante de alimentos Sadia, 2007 foi o ano da virtualização. A empresa começou consolidando os servidores Risc, passou para as máquinas Intel e ainda aplicou a virtualização no projeto de troca de desktops por terminais thin client. A reforma geral na infra-estrutura proporcionou reduções significativas de custo, não só na manutenção das máquinas, mas também no consumo de energia do data center. No entanto, o benefício mais comemorado por Marcos Caldas, gerente geral de TI da Sadia, foi a conquista de um ambiente de alta disponibilidade dos sistemas legados, inclusive com a implantação de um site de backup. “Agora a infraestrutura assegura a continuidade dos negócios”, afirma Caldas.

Disponibilidade

O caso da Sadia ilustra como deve ser a maioria dos projetos de virtualização em 2008. A redução de custos está ficando em segundo plano, conforme as empresas descobrem que a tecnologia é uma arma importante para melhorar a utilização de recursos e aumentar a flexibilidade da TI. Segundo o Aberdeen Group, 50% das empresas usam máquinas virtuais como um recurso da estratégia de alta disponibilidade e recuperação de desastres e 77% já têm, ou pretendem adotar, a tecnologia em 12 meses. “Os investimentos em virtualização e blade devem ser mais intensos em 2008”, diz Reinaldo Roveri, analista sênior de mercado da IDC Brasil. Um dos fatores que devem contribuir é a chegada do sistema operacional Windows Server 2008.

O Gartner adverte, no entanto, que os objetivos de disponibilidade e flexibilidade de sistemas só podem ser cumpridos com o investimento em novos softwares de automação, que têm recursos de gestão baseados em nível de serviço e regras de uso. É o que a empresa de pesquisas classifica como Virtualização 2.0. “Os CIOs devem se preocupar em gerenciar e desenvolver a infra-estrutura para que ela não atrapalhe o crescimento da empresa”, afirma Ione Coco, do Gartner. Segundo a consultoria TheInfoPro, o boom da virtualização está causando uma expansão do mercado de software para servidores, com 50% das empresas indicando aumento nos gastos com programas para máquinas virtuais.


6. SEJA UM GESTOR EFICIENTE
Nunca se exigiu dos líderes de TI tanta habilidade para dar respostas rápidas ao negócio. Isso se deve ao cenário de crescimento e competição que caracteriza a maioria dos setores. Em 2008, os CIOs devem ser bastante pressionados por novos ganhos de eficiência nos gastos e investimentos da área de TI. Isso significa estar pronto para apoiar o crescimento da empresa e participar do processo de inovação, mas, ao mesmo tempo, manter uma estratégia de redução de despesas. “O CIO será de novo pressionado a cortar custos. Isso ocorrerá ano a ano e é uma situação da qual o executivo de TI não pode fugir”, diz Sérgio Lozinsky.

O líder de TI terá de ser mais incisivo na montagem de sua equipe. Com recursos limitados, não será possível sacrificar um cargo com um funcionário inadequado para a função. O problema, segundo Ione Coco, do Gartner, será cumprir essa regra num mercado carente de mão-deobra. Por conta disso, a rotatividade será alta, atrapalhando o andamento de projetos. “As empresas terão de investir mais na atração, retenção e desenvolvimento de funcionários de TI”, afirma Ione.

O CIO também precisará buscar meios para desonerar o budget. Uma das formas de fazer isso é controlar a demanda por novos projetos. Lozinsky diz que uma solução poderia ser instituir mecanismos de chargeback, em que a TI cobra da área usuária os custos. “É um modelo conhecido, muito aplicado no exterior, mas ainda incipiente no Brasil”, diz Lozinsky.


7. ARRUME A CASA DEPOIS DO IPO
Desde 2004, 100 empresas abriram capital na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). A busca por capitalização com lançamento de papéis no mercado de ações deve continuar em 2008. Como efeito, novas companhias devem eleger a governança de TI como uma prioridade de seus investimentos, repetindo um movimento pelo qual já passaram as corporações que tiveram de se ajustar às exigências regulatórias dos mercados de capitais no exterior. Segundo o IT Governance Forum, 89% das empresas sulamericanas consideram muito importantes a adoção de regras de controle e adequação da TI. Abrir capital significa para uma empresa, e para a área de TI, entrar num ambiente novo, com regras diferentes. Isso exige aprendizado, principalmente na questão da transparência. “No jogo da governança corporativa não basta ser honesto, é preciso parecer honesto”, diz Sérgio Lozinsky, que cita o caso de uma empresa que fez IPO na Bovespa, no ano passado, e logo depois precisou realizar um enorme investimento para substituir uma série de legados escritos em Dbase. “Os sistemas atendiam perfeitamente os processos de negócio para os quais tinham sido concebidos”, afirma Lozinsky. O problema é que durante uma auditoria surgiram dúvidas a respeito da segurança das aplicações em DBase. “Ficou constatado que faltava proteção aos dados e decidiu-se substituir um legado que funcionava bem”, diz Lozinsky.

Mais pressão

A história mostra que a abertura de capital exige investimentos que não são claramente produtivos. Onde está o benefício, então? “Na imagem da corporação diante dos acionistas e dos investidores”, afirma Lozinsky. Essa tarefa de buscar transparência exige uma outra forma de justificar investimentos em TI. Em casos como esses, a missão do CIO é detectar as falhas de segurança, de controle e de eficiência de processos e agir para assegurar que a TI não se torne a vilã da história. “É preciso eliminar ferramentas e sistemas que tenham alto nível de risco”, afirma Sharly Swissa, vice-presidente de TI da operadora de telecomunicações GVT, que abriu capital este ano.

Um IPO representa também um fator de pressão a mais para a carreira do CIO. Empresas que abrem o capital precisam mostrar resultados rapidamente. Isso significa uma cobrança maior por eficiência em toda a corporação, com cortes de custos e geração rápida de caixa.

Mas um IPO pode ser visto também como oportunidade. Na GVT, a abertura de capital viabilizou uma série de novos investimentos em segurança e disponibilidade. “É preciso lembrar que o IPO injeta capital na empresa, que ganha força para lançar novos projetos”, afirma Swissa. Segundo Reinaldo Roveri, da IDC, o CIO pode aproveitar o lançamento de ações para obter uma visão mais completa da empresa. A implantação de mecanismos de governança obriga o líder de TI a pensar questões estratégicas para o negócio, e não só para a TI. “A TI deve entender e gerenciar todos os processos em que está envolvida”, diz Roveri.

Fonte: http://info.abril.com.br/corporate/edicoes/51/arquivos/6511_1.shl





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